SUA SAÚDE Cansado de esperar em filas?

Na rede pública de saúde em Curitiba, 18 mil pessoas aguardam por uma consulta a um ortopedista. |
Plano de saúde nem sempre é garantia de atendimento rápido. Quem pensa que a fila para consultas está apenas no Sistema Único de Saúde (SUS) pode se surpreender com a espera em alguns consultórios particulares. As especialidades consultadas estão entre as que registram maior procura: cardiologia, endocrinologia, ortopedia e dermatologia. Essas áreas são ainda mais requisitadas no Sul do Brasil, região onde mais pessoas se declaram portadoras de doenças crônicas (35,8%), de acordo com o recente Panorama da Saúde no Brasil, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2008. Três entre dez moradores da região Sul têm plano de saúde. Três fatores principais contribuem para lotar as agendas dos consultórios: a maior incidência de doenças crônicas, o crescimento do número de usuários dos planos de saúde e a baixa oferta de consultas por alguns médicos. O tempo médio para uma consulta com dermatologista fica em 19 dias; com cardiologista, em 29 dias; com endocrinologista, em 37 dias; e com ortopedista chega a 46 dias. A espera é semelhante para quem optar em pagar pela consulta. A reportagem constatou junto aos consultórios que a grande maioria não dá prioridade ao cliente particular em detrimento do conveniado. Apesar da demora, o tempo ainda é menor do que o registrado na rede pública. Na rede pública de saúde em Curitiba, 18 mil pessoas aguardam por uma consulta a um ortopedista. A especialidade médica é a que registra maior fila na capital, com oferta de 2,6 mil consultas por mês. Dessa forma, a prefeitura precisaria de sete meses para zerar a fila, contando que nesse período nenhum novo paciente procurasse pelo serviço. A espera para uma consulta na Ortopedia varia conforme a doença. Para Ortopedia geral, o paciente tem de aguardar três meses e 28 dias. Se for para Ortopedia da coluna, a espera passa para cinco meses.
Valor Para os médicos, o plano remunera menos do que o atendimento particular. No caso do cardiologista Cláudio Pereira da Cunha, ele recebe R$ 200 por uma consulta particular e R$ 30 quando a consulta é pelo plano de saúde. "Cortei o cabelo e paguei mais caro do que ganho em uma consulta", compara o médico, que atende diariamente no consultório. O diretor do departamento de convênios da Associação Médica do Paraná, José Jacyr Leal Júnior, afirma que há uma demanda para que o valor repassado ao profissional seja maior. Ele revela, no entanto, que o problema de demora em consultas muitas vezes é causado pelos médicos e não pelo plano. Na opinião de Leal Júnior, alguns médicos optam por outras atividades profissionais fora do consultório, o que diminui os horários disponíveis na agenda. "O plano está oferecendo médicos. Não oferece um doutor. Se a pessoa quer exigir aquele médico, tem um preço a pagar", diz.
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